
28 de abril de 2025
·6 minutos
O mercado de Corporate Venture Capital (CVC) no Brasil ainda engatinha quando comparado a mercados mais desenvolvidos como Estados Unidos e Europa. Apesar do crescente interesse das grandes corporações brasileiras em inovação aberta, muitas iniciativas de CVC têm enfrentado desafios significativos para alcançar resultados sustentáveis.
Um exemplo emblemático é o caso da Oxygea, iniciativa de inovação da Braskem que, com o ambicioso objetivo de impulsionar o ecossistema de startups, enfrentou consideráveis desafios de execução. Lançada em 2023 como uma plataforma de inovação e aceleração, a Oxygea demonstrou a complexidade de alinhar as expectativas corporativas com a dinâmica das startups e por fim acabou por encerrar suas atividades em 2025 por falta de resultados apesar dos mais de R$ 20 Milhões investidos no programa.
Este não é um caso isolado - diversas outras iniciativas de CVC no país têm enfrentado dificuldades para encontrar o modelo ideal de operação que gere valor tanto para as startups quanto para as corporações investidoras.
A imaturidade do ecossistema brasileiro se reflete na ausência de metodologias consolidadas, equipes inexperientes em lidar com o mundo das startups e, principalmente, na dificuldade em alinhar os objetivos estratégicos da corporação com as necessidades de crescimento acelerado das startups. O resultado é muitas vezes um descompasso entre expectativas e resultados.
Apesar dos desafios, o potencial que grandes empresas têm para acelerar startups é imenso e raramente aproveitado em toda sua plenitude. Uma corporação estabelecida possui ativos valiosos que vão muito além do capital financeiro:
Quando uma grande empresa abre suas portas para uma startup, ela pode proporcionar o que o dinheiro sozinho não compra: validação de mercado e escala acelerada. Ao mesmo tempo, a corporação se beneficia absorvendo a cultura de inovação, agilidade e novas tecnologias que as startups trazem para o ambiente corporativo.
Esta troca simbiótica, quando bem estruturada, pode transformar a relação entre corporações e startups em algo muito mais valioso que um simples investimento financeiro.
Um dos principais erros cometidos por programas de Corporate Venture Capital é investir prematuramente em startups sem uma validação adequada do potencial de sinergia. A abordagem mais inteligente e menos arriscada é estabelecer primeiro uma relação de aceleração e colaboração antes de comprometer capital.
Esta estratégia permite:
Ao adotar esta abordagem "relationship-first, investment-later" (relacionamento primeiro, investimento depois), as corporações reduzem significativamente os riscos associados ao investimento direto e aumentam as chances de construir um portfólio de participações realmente estratégicas.
O atual cenário econômico brasileiro e mundial, marcado por juros elevados e baixa liquidez, tem criado um paradoxo interessante no ecossistema de inovação. Por um lado, as startups enfrentam maior dificuldade para captar recursos financeiros tradicionais. Por outro, esta escassez tem aberto espaço para modelos alternativos de aceleração e crescimento.
As startups, pressionadas pela necessidade de sobrevivência e crescimento em um ambiente de capital escasso, estão muito mais abertas a parcerias estratégicas com grandes empresas, mesmo que estas não envolvam investimento financeiro imediato. O acesso ao mercado e a validação que uma grande corporação proporciona podem ser muito mais valiosos no momento atual do que um aporte financeiro.
Esta conjuntura cria uma janela de oportunidade única para corporações estruturarem programas de relacionamento com startups que ofereçam valor real através de acesso a mercado, mentoria e infraestrutura, recebendo em troca participação acionária sem necessariamente investir capital financeiro.
Neste contexto surge a abordagem pioneira da Scope Ventures, que tem ajudado grandes empresas a construir verdadeiros portfólios de participações em startups sem a necessidade de investimento financeiro direto. O modelo desenvolvido pela Scope foca na criação de programas de aceleração corporativa onde o valor é gerado através da abertura de mercado, mentorias especializadas e acesso à infraestrutura da corporação.
A metodologia se baseia em três pilares fundamentais:
Este modelo permite que corporações construam portfólios diversificados de participações em startups inovadoras, mitigando riscos financeiros e maximizando as chances de sucesso das iniciativas.
Um exemplo concreto da eficácia deste modelo é o caso da Vellore Ventures, que com o apoio da Scope Ventures conseguiu estruturar um impressionante portfólio avaliado em R$ 4 milhões, composto por participações em 8 startups promissoras - tudo isso sem investimento financeiro direto.
A chave para o sucesso foi a criação de um programa de aceleração corporativa onde a Vellore ofereceu às startups selecionadas:
Em troca, a Vellore negociou participações acionárias nas startups, construindo um portfólio diversificado e estrategicamente alinhado com seus objetivos de inovação.
O resultado foi uma situação ganha-ganha: as startups aceleraram seu crescimento através do acesso ao mercado proporcionado pela Vellore, enquanto a corporação construiu um valioso portfólio de inovações sem precisar desembolsar capital financeiro.
O Corporate Venture Capital no Brasil está em um momento crucial de transformação. O modelo tradicional, baseado apenas em investimento financeiro, tem se mostrado insuficiente para gerar os resultados esperados tanto para corporações quanto para startups.
A abordagem de construir relacionamentos estratégicos antes de investimentos financeiros, exemplificada pelo trabalho da Scope Ventures, representa uma evolução natural e necessária para o amadurecimento do ecossistema de CVC no país.
Em um cenário econômico desafiador, esta abordagem permite que corporações brasileiras inovem de forma mais sustentável, construindo portfólios estratégicos de participações em startups que realmente agregam valor aos seus negócios, enquanto oferecem às startups algo muito mais valioso que apenas dinheiro: acesso a mercado, validação e escala.
As corporações que souberem aproveitar este momento para estruturar programas eficientes de relacionamento com startups estarão não apenas diversificando seus negócios, mas garantindo sua relevância e competitividade em um mundo cada vez mais dominado pela inovação e transformação digital.